quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Reflexão sobre a Black Friday

Vamos a uma reflexão sobre a black friday, do ponto de vista do lojista.


Mais uma black friday vem chegando, e com ela fica a dúvida do seu real impacto nas empresas varejistas, por ser uma data ainda nova em nosso mercado, a dúvida não está no volume de vendas, pois neste quesito ela já se tornou muito atrativa, mas e em relação a sustentabilidade financeira da empresa? Será que vale realmente a pena sacrificar as margens para ter um aumento substancial nas vendas neste período?

Hoje as grandes redes varejistas já trabalham no vermelho, basta ver alguns balanços divulgados, buscando o aumento de share de mercado, não há grande preocupação com a rentabilidade, mas possívelmente uma hora os investimentos externos acabam, e ai?
A black friday é um período de aumento de vendas considerável, mas o lojista precisa sacrificar as margens, se desfazendo de um estoque que poderia lhe trazer muito mais valor, e não digo isso no contexto de ganhar mais e mais não, digo pensando apenas que os empresários precisam quitar os boletos de suas contas no final do mês.

Juntamos isso ao fato de que, por nossa culpa mesmo, acabamos prevaricando esta data, pois tenho visto diversas promoções diferentes, em datas diferentes, remetendo ao black friday, é black november daqui, black week dali, aquecimento black friday, e por ai vai. Chegamos ao cúmulo de ver promoções em fevereiro com a chamada “Preços de black friday”. Mas este é um conteúdo para uma próxima reflexão.

Ainda podemos pensar no quanto sacrificamos de vendas do final de ano, já que o Natal é a época campeã de vendas e sem a necessidade de oferecer diversos descontos e atrativos. Vale lembrar que a Black friday foi criada originalmente nos Estados Unidos em uma sexta-feira após o feriado de ação de graças, o que na cultura deles, seria realmente um período fraco de vendas e que há necessidade de criar promoções de alguma forma, para esquentar o mercado, e a data é utilizada para renovação de estoques, o que em nossa cultura seria equivalente as liquidações de início de ano.


Então, qual a grande vantagem em aumentar o volume, brigar por cada fatia do mercado? mesmo que seu resultado financeiro (DRE) no final fique ainda mais negativo, ou mesmo diminua o resultado positivo?

Penso que uma análise fria e calculista da black friday, pode lhe trazer uma decisão de deixar os grandes varejistas se "degladiarem", e priorizar a prestação do serviço ao cliente e da sustentabilidade da própria empresa a longo prazo. É melhor preparar o terreno e criar degraus para subir do que cavar para se afundar, e neste ponto a black friday é um degrau ou uma pá?

Lembre-se que as empresas midiáticas, principalmente as grandes companhias de capital aberto, frequentemente são envolvidas em aquisições, fusões, etc. e as vezes é este o objetivo delas, mas se o seu é se manter ativo e rentável, análise com carinho suas estratégias para a black friday.

E ainda podemos voltar a questão de rever a data, adaptando a nossa cultura, fato que já foi discutido este ano, imagina esta data no início do ano, ou em outro período de vendas fracas, ai sim o resultado seria vantajoso para o balanço anual.
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